Cuidado ao ser Ético e Honesto

(*) Marcus Vinícius Assis Baptista

Há pouco tempo atrás, conversando informalmente com um amigo e vivido jurista, sobre as atitudes e valores atuais dos seres humanos, principalmente no que tange os negócios e suas relações, este me perguntou:
- Marcus, ao tomar suas decisões e atitudes, qual o seu órgão humano que você mais utiliza?
Parei durante poucos segundos diante de uma pergunta, que me parecia óbvia e prontamente respondi:
- Depende do objeto em análise, mas utilizo o cérebro, outras vezes o coração e até a intuição.
Para meu espanto, o conceituado advogado e alguns outros amigos que nos cercavam sorriram. Eu não entendi nada. Então este me respondeu:
- Com o estômago!
Apesar da minha vivência humana e profissional, sorri e perguntei-o:
- Com o estômago? Isto é uma piada?
E ele:
- Lamentavelmente não amigo, entenda estômago como “o bolso”, hoje poucos homens medem as conseqüências de suas atitudes e interesses a não ser por dinheiro, poder e “status”.
Naquele momento, fiquei mais um tempo no grupo de amigos e saí de fininho para refletir. Na verdade, o que me foi dito estava estampado na minha frente, principalmente em relação a algumas experiências vivenciadas, só que eu não queria aceitar e introspectar tal realidade. Talvez por diferenças de princípios éticos e morais herdados e desenvolvidos.
Desde então, estou mais alerta para aqueles que têm como órgão mais sensível  “o bolso”, mas sei que certamente, apesar de trabalhar visando resultados econômico-financeiros diariamente para nossos “Clientes”  e atuando diversas vezes de forma contributiva ou com responsabilidade social, não matarei minha mente, muito menos meu coração para viver prioritariamente baseado em um órgão que não faz parte do corpo humano: “O BOLSO”.

ESTE FATO É REAL, E ME REMETEU AO SAUDOSO RUI BARBOSA: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
P.S. Os nomes dos interlocutores e inspiradores deste artigo serão preservados por ética e respeito, uma das minhas virtudes próprias e do meu Grupo Empresarial.

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