Grande parte das empresas passa por dificuldades crescentes e/ou repetitivas, e tenta buscar justificativas na economia global, em planos ou nos processos de mudanças contínuas.
No entanto, observando, estudando, conversando com empresários ou executivos e no exercício da profissão de Administrador, cheguei a uma conclusão: O âmago da situação que aflige as nossas organizações não está nas justificativas acima expostas, e assim sendo, não se podem culpar terceiros pelos fracassos (o que é sempre bastante cômodo). Tendo que agradecer por não estar pior, porque de acordo com o dito popular: “Deus é brasileiro”.
Perdoem-me alguns religiosos que acreditam que Deus está presente em todos os lugares menos nos ambientes de trabalho, por eu usar Seu nome, no entanto o faço por acreditar não ser em vão.
Resolvi montar um questionário bem simples para empresários e executivos, a fim de alertar alguns para a veracidade das colocações acima:
- Todos os colaboradores conhecem a: Missão; Valores; Visão e os Resultados Esperados da sua empresa? Se conhecerem, apesar de não estar afixados nas paredes em quadros belíssimos ou em documentos formalizados, é revisto pelo menos uma vez ao ano e levado a sério vale três pontos: Caso contrário, tire dois.
- É realizado um Planejamento para pelo menos os próximos 12 meses e revisto a cada três? Este Planejamento inclui: Orçamento; Investimentos; Metas de Vendas, dentre outras fases do processo e mais um planejamento em relação aos “Humanos Recursos”? (se todos afirmam que é o homem o grande diferencial na geração de recursos acredito ser esta grafia mais coerente). Caso tudo seja positivo, menos o que tange aos “Humanos Recursos”, vale um ponto; completo, vale três, e se o planejamento não é um fato em sua empresa, menos três.
- É de conhecimento de todos e acompanhado pelo menos trimestralmente a participação no mercado em que sua empresa atua? Se positivo, vale dois pontos; caso não saiba nem qual o mercado ou seu tamanho, subtraia um ponto.
- Todos da empresa têm como foco principal o cliente, com a visão de uma relação “ganha – ganha” e longo prazo? Se afirmativo, quatro pontos; caso contrário, menos quatro, com benevolência.
- Sua empresa dispõe de Fluxo de Caixa projetado para pelo menos os próximos seis meses e é acompanhado diariamente? Se positivo, dois pontos; caso contrário, zero, e torça para que casualmente este fluxo só chegue também à zero, não ficando negativo por um longo prazo.
-Com a utilização de algum instrumento eficaz (sendo flexível, vale até a sensibilidade da equipe gerencial) é mensurado o grau de Satisfação dos Colaboradores e adotada ações para manter a equipe motivada? Se positivo, três pontos; se não, tire três e meio.
- Sua equipe é o mais importante para gerar bons resultados e, quando atingidos, é reconhecido o mérito com participação nos mesmos, nem que seja uma foto no mural da empresa? Se positivo, dois pontos; de outra forma, menos um.
- Quando a empresa vai passar por um processo de mudança, você prepara e envolve a todos para a nova situação? Se afirmativo, dois pontos; caso estes só saibam o que aconteceu e então percam meses para se adaptarem, e ainda gere um grande desgaste organizacional, não perde nenhum ponto, pois aí você já perderá demais depois.
- Os projetos de melhorias qualitativas de produtividade e humanas são acompanhados diretamente pelos ocupantes dos mais altos níveis hierárquicos da empresa? Se positivo, dois pontos; se negativo ou se só foram implantados para estar no compasso da evolução, zero.
- A empresa apura resultados quantitativo-qualitativos mensais:
a) De toda a organização – um ponto;
Nenhuma das alternativas acima, menos cinco e uma fita do Senhor Do Bonfim para iluminar a gestão do seu negócio.
Poderia prolongar este simples questionário, no entanto já acho suficiente para deixar muitas pessoas atentas à realidade de nossas empresas.
Se você ficou somente com um ponto positivo no somatório já está dando o primeiro passo no caminho para encarar os desafios da nova realidade econômico-financeira e mercadológica.
Mas, na verdade, o que queremos avaliar e refletir não é a totalização dos pontos obtidos, mas sim que, de cada dez empresas, oito não estão em bem melhores condições por uma má gestão empresarial e não por fatores externos (aqueles sobre os quais não se tem o domínio pleno).
Para encerrar, ressalto que as organizações mais sólidas que tenho visto não são as tecnologicamente mais desenvolvidas e sim as de maior sensibilidade, simplificação e objetividade:
- Valorizam seus “Humanos Recursos” de fato;
- Atentas aos detalhes em todos os seus Processos, devidamente formalizados;
- E voltadas totalmente para o Cliente.
O lucro virá em conseqüência natural de um conjunto de ações corretas como as supracitadas, que resultará na possibilidade de acesso a novas tecnologias e melhoria da qualificação dos profissionais, gerando uma economia com a competitividade empresarial que precisamos.